quinta-feira, 1 de agosto de 2013

REVIEW: "O Grande Gatsby" (Livro)


FICHA TÉCNICA:
Autor: F. Scott Fitzgerald
Número de páginas: 176
P.V.P. (aproximado) - 10,35€

SINOPSE OFICIAL:
Considerado a obra-prima de F. Scott Fitzgerald, "O Grande Gatsby" tornou-se não só um clássico da literatura do século XX, como o retrato mais expressivo da «idade do jazz» em todo o seu esplendor e decadência. Jay Gatsby é o herói que personifica o materialismo obsessivo e o desencanto do pós-Primeira Guerra Mundial. Imensamente rico e desprovido de escrúpulos, Gatsby procura preencher o vazio que o domina tentando impressionar e conquistar Daisy, por quem se apaixonara na sua juventude mas que entretanto casara com o milionário Tom Buchanan. No entanto, na sua busca de um amor e uma inocência perdidos, Gatsby encontra apenas o fim de um sonho.

O VEREDICTO:
Fitzgerald é um mestre! Depois de reler este primoroso clássico pela terceira vez é a conclusão a que chego.
Descobri-o pela primeira ocasião durante a infância, depois na adolescência e uma das coisas que recordo com mais clareza é a antipatia pela tola personagem de seu nome Daisy, a mesma que chorava «estrepitosamente» e a desilusão com o final. Aquele final.
Agora, a caminho dos trinta (já?) e com toda a ponderação e maturidade que a idade inevitavelmente traz, percebo que não poderia ter terminado de outra forma. O autor quis zombar o chauvinismo, a ausência de valores e abalar os pilares do "American Dream", desmistificar a América das oportunidades, com os seus «batalhões de fatos, robes e gravatas, e as camisas, às pilhas de uma dúzia cada, como tijolos. Camisas às riscas, às pintas e às volutas e xadrezes, cor de coral, verde-maçã, alfazema e laranja-pálido, com monogramas bordados a azul-ultramarino».
A crítica à burguesia hipócrita e implacável da época é bem patente quando, e em contraste com toda a requisição e adesão às suas opulentas e glamourosas festas, só três pessoas comparecem ao funeral da personagem-chave. Esta ironia trágica é o clímax injusto e desapontante que parece ter como alvo todos os que mantinham a esperança que o amor prevalecesse. Fitzgerald, tal como Gatsby, era um romântico incurável e ingénuo, um «pobre filho da mãe» que sempre se sentiu excluído e alheado da elite, o círculo restrito a que era suposto pertencer.
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