sexta-feira, 21 de novembro de 2014

REVIEW: "Dei-te o Melhor de Mim" (Livro)


FICHA TÉCNICA:
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Editorial Presença
Número de páginas: 304
P.V.P. - 14,31€

SINOPSE OFICIAL:
Na Primavera de 1984, dois adolescentes norte-americanos, Amanda Collier e Dawson Cole, envolvem-se na intensa vivência do primeiro amor. Apesar de pertencerem a mundos diferentes na pequena cidade de Oriental, na Carolina do Norte, o seu amor um pelo outro parece-lhes suficientemente poderoso para enfrentar todos os desafios. Mas quando o Verão do seu último ano da escola secundária chega ao fim, acontecimentos imprevistos colocam os dois jovens em trajetos irremediavelmente divergentes. Vinte e cinco anos mais tarde, a morte do único amigo que os protegera reúne-os de novo na cidade natal. Confrontados com dolorosas memórias e um sentimento que se revela intacto, que sentido dar agora a um amor que nunca poderia mudar o passado?

O VEREDICTO:
Poucos são os que escrevem histórias de amor como Nicholas Sparks. Mesmo as que no final nos deixam em posição fetal e a balbuciar inconformados "Isto não é real. Não pode estar a acontecer."
Menos ainda os que têm acordos com a indústria do papel... ele bem tenta rotular-se de romântico inveterado mas já deve ter feito uns bons milhões à custa dos klennex que a leitura dos seus livros fazem ensopar.
Só eu já encharquei, à vontadinha, dezenas deles. 
Aliás e em nome do negócio, todos os livrinhos do senhor já deviam trazer uns pacotinhos de lenços incluído. Just saying.

O que lhe vale é que sabe meeeeeesmo escrever. Cativa. Sabe-a toda, é o que é, e embora se descarte dos protagonistas com uma desfaçatez que nos faz lembrar George R. R. Martin (também ele um sádico de primeira), as estórias enchem-nos sempre o coração e o romance é de tal forma bem escrito que nos faz querer inventar uma máquina do tempo para voltarmos à adolescência e tentar viver um amor similar. 
(No caso deste livro, claro, se quisermos um amor à la "Palavras que Nunca Te Direi" ou "O Sorriso das Estrelas", ainda vamos a tempo.)
No entanto, a mestria do Senhor Sparks reside mesmo na construção dos personagens. É fácil sentir empatia por estes, pela sua personalidade, pelos trejeitos, pelas palavras que nos vão arrebatando aos poucos...
Amanda Collier é uma protagonista com P grande, é viva, mordaz, segura de si, uma jovem "de gargalhada rápida, irreverente" e resoluta. 
Dawson Cole é o underdog, o "pedaço de lixo branco desprezível", que oriundo duma família de criminosos ousou apaixonar-se desmedidamente pela menina "de olhos da cor dos céus quentes de verão", de classe superior.
Repete-se aqui a fórmula de "O Diário da Nossa Paixão" - rapaz conhece rapariga, apaixonam-se mas são de mundos diferentes, acabando, eventualmente, por se separar - receita mais do que assegurada para o melodrama. O que difere é mesmo a quantidade de desgraças: se nuns conseguimos retomar alegremente a nossa vidinha de sempre, noutros lemos o livro e, no final, ficamos de cama, com danos emocionais, a maldizer a humanidade (e o Sparks!) . DEI-TE O MELHOR DE MIM encaixa-se na segunda alternativa, obviamente. Depois de uma vida atribulada e cheia de sofrimento, quando os nossos protagonistas conseguem finalmente ver a luz no final do túnel e almejar alguma felicidade, o sacana do Sparks destino troca-lhes as voltas e, guess what?, mais sofrimento. 

Definitivamente este é um livro não recomendado a pessoas em estado depressivo. Relativamente a todas as outras, se não são daquelas que torcem pelo happy ending do típico bom rapaz de coração grande e sonhos ainda maiores, então este livro é para vocês.
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